Alguns pensamentos sobre Bolsonaro, Eleições 2018, Roda-Viva, e coisas mais.

Primeiro, aqui vai o link de sua entrevista ao Roda-Viva de 2018-07-30.


A visão de um Bolsonarista

É preciso entender a visão de mundo de eleitores do Bolsonaro para que possamos ser mais efetivos no diálogo e no convencimento. Senão ficamos só falando uns através dos outros e só aumentaremos a polarização.

  • É preciso defender os valores da civilização judaico-cristã, da ordem, da família, da tradição, das pessoas de bem.
  • Ataques a esses valores: comunistas/“esquerdopatas”, pós-modernistas, politicamente correto, Islã/terroristas, globalistas, imigração desenfreada sem integração, ONU, ambientalistas, PT/PSOL/PC do B, bandidos/“vagabundos”, drogas, direitos humanos, ideologia de gênero, políticas de identidade, políticas afirmativas, cotas, establishment político engessado e corrupto, George Soros, Obama/Hillary/Sanders/Democratas, Foro de São Paulo, etc.
  • Estamos em estado de guerra. É matar ou morrer. Esquerda protege bandido, e não policial. Bandido bom é bandido morto. O Estado e polícia não podem me proteger hoje, então libere-se as armas. Estatuto do Desarmamento foi votado contra pelo povo em 2005.
  • Militares representam a honra, decência e patriotismo. 1964-85 não foi ditadura, foi uma salvação à ameaças de golpe comunista. Inclusive, o Brasil cresceu muito na época, foi ótimo pro país.
  • A mídia é toda capturada pela esquerda. Fake news está por toda parte. Não confie no que lê se vier das plataformas tradicionais. É preciso fontes midiáticas alternativas, conservadoras.
  • Israel é a terra iluminada entre nações do Oriente Médio. É uma democracia liberal dentre teocracias Islâmicas. É julgada com dois pesos e duas medidas. É massacrada na mídia internacional. Críticas assimétricas a Israel são anti-semitismo disfarçado.
  • Paladinos da luta contra “tudo que não presta”: Olavo de Carvalho, Donald Trump, Claudia Wild, Bernardo Küster, Gilson Bicudo, Bene Barbosa, etc.
  • Isso é o que o povo quer. As pessoas comuns só querem uma vida de bem, poder andar na rua sem medo de violência, quer ir à igreja, não quer seus filhos gays, está cansado de tanto imposto/burocracia, etc. Esquerdistas vivem numa bolha urbana de universidades e caviar.
  • A alternativa a Bolsonaro é Venezuela e Cuba comunistas bolivarianas. As alternativas são tudo farinha do mesmo saco. Não há meio termo. Esta é a única chance que temos de mudar “isto que está aí”.


Mídia caindo em armadilha

A mídia brasileira está caindo na mesma armadilha na qual caiu a americana. Atacam Bolsonaro no campo moral, sobre suas declarações machistas/misóginas/homofóbicas, tentando colar nele esses rótulos de linchamento moral, achando que isso o destruirá. Usam episódios pequenos como prova de acusações morais enormes. Porém pouco entendem que eleitor de Bolsonaro (1) não o considera machista, misógino, homofóbico, (2) vê nisso um ataque à civilização judaico-cristã, (3) enxerga isso como mi-mi-mi, (4) quer que o establishment pegue fogo.


Estratégias (talvez) eficazes para debater Bolsonaro:

  • Demonstrar seu despreparo em qualquer área de governo, inclusive nas quais se diz especialista (segurança, costumes). (Por mais que seus eleitores não queiram na imagem dele como presidente alguém que sabe de tudo. Não é pra isso que os serve um presidente. Especialistas serão seus ministros, sua equipe. Querem uma figura pública não-apologética que defenda publicamente valores que concordam)
  • Demonstrar a falácia do espantalho criada que qualquer alternativa a Bolsonaro é comunismo, globalismo, proteger bandidos, etc. Desconstruir essa imagem dele de único salvador do caos a espreita.
  • Falar sobre as agendas mais caras aos eleitores: segurança nacional, economia ruim, costumes, etc.


Roda-Viva com pesquisa de opinião

Pesquisa que o Roda Viva deveria fazer com seus expectadores, antes de começar o programa. Qual probabilidade de você mudar seu voto ao assistir esse programa? Muitos dos comentários ao programa me parecem vir de pessoas que não mudariam de opinião, nem pra um lado nem pro outro. É só ataques e defesas, mas pouca interlocução.


Análise do Joel

Uma das melhores análises que vi até agora, do Joel da Fonseca.