Nossa percepção e valores são limitados por nossa condição humana.

Nossos julgamentos de valor são provindos diretamente de reações emocionais internas, muitas vezes inconscientes. Na Natureza um sorvete não é ‘bom’ em absoluto. Ter companhia de uma pessoa querida não é ‘bom’ em absoluto. Algo só é julgado bom pois é bom para nós, seres humanos. Uma mosca acha o cheiro de cocô atraente (não me pergunte se moscas sentem cheiro).

Nossa consciência é irredutível. Só temos acesso a conteúdos altamente pré-processados pelo cérebro (basta experimentar ilusões óticas para perceber o quão tomamos como dado que nossa percepção é equivalente à realidade).

Quanto mais vivemos, vamos tendo acesso a diferentes emoções e reações cerebrais associadas a eventos da vida. Mas nascemos numa máquina onde ninguém nos deu o manual de instruções. Vivemos de tentativa e erro, e somos fruto da própria máquina (esse é o argumento contra a existência de um ‘eu’: o infinito regresso de ‘quem controla o eu?’).

Além disso nossa consciência é modular. Somos o agregado de diversos módulos cerebrais, cada um sendo continuamente excitado ou inibido (contingencial ao ambiente). Os split-brain patients são o exemplo maior de como um corpo é comandado por diferentes partes de uma mente (para quem não sabe do que estou falando, cuidado, isso pode mudar sua vida).

Estamos presos em nossa própria cabeça e dela não sairemos.